No mundo ágil se fala muito sobre o líder servidor. Tanto o Scrum Master quanto o Product Owner devem ser líderes servidores. Nesta situação o líder serve aos seus liderados, ao invés do senso comum, que considera o contrário.
A quem você serve?
Na hierarquia tradicional, se você perguntar a um funcionário: “A quem você serve?”
Provavelmente ele vai responder: “Ao meu supervisor”.
Se você fizer a mesma pergunta ao supervisor, ele vai responder: “Ao meu gerente”.
O gerente vai responder: “Ao dono da empresa”.
Finalmente, o dono da empresa vai responder: “Ao cliente”.
Mas quem trabalha diretamente com o cliente?
Seguindo a hierarquia tradicional, caímos em um grande problema. Geralmente o trabalho daquelas pessoas que estão na base da pirâmide é aquele que mais impacta ao cliente.
A melhor forma de servir ao cliente é deixar que aqueles que estão mais próximos destes dêem as ideias. O papel dos líderes é apoiar o trabalho dos liderados. Desta forma, o líder deixa de ser aquele que dá ordens, e vira aquele que atende às necessidades de sua equipe.
Necessidade é diferente de vontade
Este é um ponto chave para que a liderança servidora funcione de forma efetiva. Muitas vezes o que uma pessoa quer é diferente do que ela precisa. O objetivo de uma empresa é dar o que o cliente precisa, e não o que ele quer. O Steve Jobs disse uma famosa frase:
“As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas.”
Desta forma, um líder servidor deve ser proativo e suprir a necessidade de seus liderados. Entretanto, deve ter senso crítico e saber discernir o que é necessidade do que é apenas vontade.
A metáfora do médico X garçom serve tanto para a relação empresa-cliente, quanto para a relação líder-time. Médico é aquele que pergunta: “Qual é a sua dor?”, e fornece a solução. O garçom é aquele que pergunta: “O que você quer?”, e atende ao seu desejo. O líder deve ser o médico e não o garçom.
O líder servidor continua sendo um líder
O fato de ser um servidor não impede que o líder lidere. Segundo o livro O monge e o executivo:
“Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum.”
O líder, além de servir, continua com a função de influenciar positivamente o time e encaminhar o trabalho para atingir o bem comum.
A influência só é efetiva quando se tem autoridade natural, em vez do poder imposto.